Entidades questionam projeto da Arena Castro Alves em reunião do Fórum “A Cidade Também É Nossa”

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Uma oportunidade para sugerir adequações físicas, sociais e econômicas para  o projeto de requalificação do Centro Histórico de Salvador, conhecido também como Arena Castro Alves. Assim foi o encontro promovido pelo Fórum A Cidade Também é Nossa com o secretário Estadual de Turismo, Domingos Leonelli,  técnicos de diferentes áreas e membros da sociedade civil, na manhã desta quarta-feira (27), no auditório do Crea-BA.

Considerada ainda um estudo preliminar pelo Governo do Estado, a iniciativa orçada em R$ 25 milhões (R$ 10 milhões já empenhados pelo Governo Federal), prevê a requalificação do entorno da Praça Castro Alves, incluindo as ladeiras da Preguiça, da Montanha e da Conceição, além da Rua do Sodré. Entre as intervenções anunciadas estão a melhoria da infraestrutura subterrânea, garantia da acessibilidade, tratamento das encostas, adequação da iluminação pública, calçadas e ruas, além da promoção do uso comercial dos espaços.

De acordo com o secretário, a Arena Castro Alves, que prevê capacidade para até cinco mil pessoas, não foi pensada isoladamente, mas a partir de um conjunto de intervenções. “Será construída para abrigar espetáculos teatrais, shows e manifestações artísticas e culturais, além de espaços para realização de oficinas culturais. Não vai interferir na utilização Praça Castro Alves. Será edificada em ruínas e em áreas degradadas. A arena representa apenas 20% do projeto”, explica.

Leonelli afirmou que o fato de o estudo preliminar ter sido divulgado prematuramente pela internet inviabilizou a correta tramitação do processo que se encontra em consulta no Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), em primeira mão, devendo ser apresentado a outros órgãos como o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) e Câmara de Vereadores. Ele informou que será solicitado o posicionamento das respectivas instituições para detalhamento do projeto e redação final do Termo de Referência.

Críticas e sugestões – Marcos Cândido, do projeto Axé, cobrou estudos que viabilizem intervenções que favoreçam a população da “cidade do meio” (da Gameleira ao Teleférico). O deputado estadual Capitão Tadeu Fernandes (PSB) sugeriu a inserção do esporte como meio de agregar as crianças da região e questionou o porquê de o governador Jaques Wagner (PT) ter dado declarações contrárias ao projeto para a imprensa. O secretário disse desconhecer esse último questionamento.

Débora Nunes, do Movimento Vozes Salvador, criticou a articulação do Estado com os grandes investidores do setor imobiliário e também os benefícios feitos pelo poder público para a iniciativa privada. Ordep Serra, também do Movimento Vozes, sugeriu que fosse feito um mapeamento arqueológico da área.

O idealizador do espaço de cinema Glauber Rocha, cineasta Cláudio Marques, não vê viabilidade na construção da arena. Ele disse que o projeto vai comprometer a vista da Baía de Todos os Santos pelo mar, prejudicará o verde e complicará a mobilidade na área. Sugere ainda a criação de um espaço que funcione cotidianamente.

Fernando Guerreiro, gestor da Fundação Gregório de Matos, falou que os eventos realizados na Praça Castro Alves são nocivos para área e que já está providenciando uma forma de acabar com a realização de eventos na área, que se deve, primeiramente, pensar no local, depois no equipamento e não no contrário. Sugeriu ao governo a substituição da Arena Castro Alves por uma biblioteca pública, já que segundo ele, Salvador dispõe de apenas duas unidades.

Parlamentares divergem – O vereador Hilton Coelho (PSOL) chamou a atenção do secretário para que os interesses públicos se sobressaiam na elaboração dos projetos e disse que, no caso da arena, tudo foi feito de forma “atropelada” para que fossem garantidos os recursos. Ele cobrou mais planejamento e estudo baseado nas necessidades de quem vive na região.

Para o parlamentar Cláudio Tinoco (DEM), a arena desconecta o princípio de reabilitação da área e chama atenção para a recuperação dos espaços culturais já existentes. O legislador citou que em 2012 ocorreram 30 eventos na Praça Castro Alves, gerando uma série de transtornos para o centro da cidade e destacou a importância de se ter um modelo de gestão para equipamento proposto.

Na contramão do discurso, o vereador da base governista Arnando Lessa (PT) elogiou a proposta da Secretaria de Turismo e afirmou que o município também tem a obrigação de abraçar o investimento fazendo o cadastramento social das famílias que moram nas redondezas, “para não repetir o que aconteceu no projeto de revitalização do Pelourinho, onde grandes empresários tiveram mais vantagens do que os moradores do local”.

Outros questionamentos feitos referem-se à questão social e aos mecanismos que coíbam o aproveitamento pelo capital privado do recurso público. O uso da arena por vários públicos, a questão da mobilidade urbana, a importância de se consultar os conselhos municipais antes de executar o projeto, e a que tipo de segmento será dirigida a Arena, também foram assuntos debatidos. Foram destacados ainda a falta de um órgão municipal que se responsabilize pelo licenciamento ambiental dos projetos em Salvador e o fechamento de grande parte das lojas do Pelourinho.

Atento a todas as colocações, o secretário Domingos Leonelli voltou a afirmar que o projeto está em fase de elaboração e que deverá seguir todos os trâmites legais até ser executado. “Comparo a iniciativa da Arena Castro Alves com o projeto de requalificação da Feira de São Joaquim. Investimos R$ 60 milhões naquela área e estamos lutando contra o aproveitamento da recuperação do espaço pelos grandes depósitos. Essa luta contra o capitalismo selvagem é permanente e bastante difícil de ser resolvida”, destaca.

Controle social – O secretário ainda garantiu a realização de audiências públicas com a população da região para acolher as contribuições da comunidade. “Fomos atropelados pela opinião pública, sem mesmo ter o projeto finalizado. Não vi protesto semelhante ocorrido contra as obras do metrô, que consumiu muito mais dinheiro, e também sobre a ocupação absurda da Avenida Paralela, numa onda de especulação imobiliária nunca vista”, ressalta. Na primeira quinzena de março Leonelli deverá apresentar a proposta à Câmara de Vereadores.

Para o presidente do Crea-BA, engenheiro mecânico Marco Amigo, a discussão em torno da Arena Castro Alves foi muito rica. “Fez com que a sociedade participasse do processo de construção da cidade que realmente deseja. Quando tivermos duas mil ou até cinco mil pessoas discutindo o futuro de Salvador com certeza alcançaremos o desenvolvimento almejado não só para capital, mas para todo o Estado”, finaliza.

Nadja Pacheco
Fotos: Paulo Macedo
ASCOM CREA-BA
fonte: http://www.creaba.org.br/noticia/1421/Entidades-questionam-projeto-da-Arena-Castro-Alves-em-reuniao-no-Crea.aspx

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